terça-feira, 27 de abril de 2010

Sina


Meio-dia.

Um pobre velho tenta vender sua sexta de balas e doces em um ponto de ônibus no anseio de faturar seus primeiros centavos do dia.

Ele passa pelas pessoas oferecendo seu produto barato. Umas fingem não tê-lo visto. Ignoram sua existência. Outras, simplesmente recusam.

Sem esperança, o velho prossegue...

De repente, um homem muito bem vestido pergunta-lhe:

_ Senhor, quanto custa esta cesta ao todo?

Após 5 minutos tentando calcular um valor aproximado da sua escassa mercadoria, o pobre velho responde.

_Eu pago o dobro por tudo! Diz o senhor bem aparentado apanhando uma nota grande do bolso.

O pobre velhote não sabia se ria ou chorava. Sua alegria era tanta que acometeu-se de um ataque de risos.

Ria tanto que quase não podia ouvir uma voz que dizia ao fundo:

_Zé! Ô Zé!! Acorda! São seis da manhã! Velho maluco!

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Eterno

"Acho que este é o paradoxo mais lindo do mundo: um Deus que é tão grande e ao mesmo tempo pode habitar em você...", dizia Vitória em uma pequena reunião de discussão a respeito de um livro de Max Lucado. O capítulo em questão, falava justamente a respeito do tipo de deus a quem enxergamos.

Entre outras idéias que tive, pensei em escrever sobre isto. Fiquei maravilhado com este vídeo aqui logo abaixo. É uma animação 3D sobre as relações matemáticas na natureza.



Me faz lembrar da faculdade, quando estudei Proporção Áurea. Me faz lembrar quão perfeitas são as coisas criadas por Ele. Me faz desacreditar da tão famigerada "obra do acaso".

Pense, que em cada célula, onde há uma gigantesca cadeia de códigos de DNA. E esta cadeia cabe em uma parte tão minúscula. Depois você tem os tecidos, os sistemas, o corpo. E cada partícula dessa respira.

A respiração é mais uma obra divina. Antigos judeus acreditavam que o nome de Deus era muito sagrado e quase impronunciável. O som produzido pelas letras imita o som da respiração(YHWH, pronunciava-se Yahweh, que originou, Jehowah). O que nos faz lembrar que é dEle, o sopro de vida.

Quando você respira, está manifestando a existência deste Deus. Está alimentando cada pequena célula e levando oxigênio para todo seu corpo que é, por sua vez, apenas uma partícula neste infinito universo! Neste momento, nesta órbita, somos tão pequenos perante esta imensidão... Pense em quantas galáxias distantes, quantas estrelas... E o mesmo criador é capaz de morar aqui dentro do peito, enquanto respiro, enquanto penso e se importando comigo em cada detalhe da vida...

De repente, os problemas já parecem menores. A vida torna-se tão breve, nos tornamos tão frágeis. De repente, as preocupações já não tem a mesma importância. Deus está comigo, vive em mim e está ao meu redor! Mais perto do que jamais poderia calcular.

Não deixe de falar com Ele, não deixe de ao menos cumprimentá-lO! Agradeça, você respira!

terça-feira, 30 de março de 2010

As histórias de uma lata de sardinha

Ah... o calor humano! As conversas alheias...A luta pelo seu metro cúbico de desconforto. Ah! os fétidos suores, os empurrões, cutucões, as más intenções. As más, as boas e as terceiras!

Existe coisa mais peculiar que um ônibus coletivo? Este elemento tão presente na vida de tantos brasileiros no dia-dia. Hoje quero compartilhar algumas reflexões acerca deste universo paralelo. Creio que uma imensa parte da minha vida eu tenho passado dentro de um. Desde que me conheço por gente.

Quantas histórias! Quantas pessoas distintas! Quantas experiências interessantes, desagradáveis, estapafúrdias e até mesmo agradáveis se passam dentro deste lugar comum de seres humanos civilizados (ou pelo menos deveriam ser).

Dentro de um coletivo você pode encontrar o amor da sua vida! Ou não. Você pode começar uma bela amizade, pode conhecer realidades muito diferentes da sua. O que dizer das brigas? Quanta baixaria! O que dizer dos casaizinhos indiscretos com os estalos tão irritantes de suas bocas atrevidas? O que dizer daqueles que passam mal, desmaiam, regurgitam... O que dizer dos bêbados? Coisas que tornam a viagem já não tão agradável em uma experiência um tanto quanto traumatizante.

E aqueles celulares em alto volume? Tem coisa mais irritante que gente dessa laia? Acreditando piamente que pode invadir o espaço sonoro alheio com sons quase nunca interessante aos demais? Que vontade de explodir aquelas coisas!

Cada sujeito estranho... Eu poderia listar quantas criaturas estranhas eu encontro e postar toda semana um relato esdrúxulo. Três exemplos da semana passada pra cá: Um senhor grisalho com um caderno na mão colando um adesivo de Punk Rock ou coisa parecida... coisa estranha...
Uma menina de calças rasgadas, Allstar, gorro de lã no estilo "Chaves" na cabeça e uma camiseta com a inscrição "perigo: Psicopada em tratamento".

Outra ainda: estava eu tão tranquilo quando notei que o ônibus demorava para sair do ponto onde havia acabado de parar. Uma moça do lado de lá da catraca começa a discutir com outra moça de jaleco branco que acabara de embarcar para convencê-la a sair e a voltar para a clínica da qual ela havia fujido. Logo, do lado de fora, muitos outros de jaleco se juntaram para aguardar a moça. No meio da discussão, uma mulher se levanta e se aproxima brigando com o motorista dizendo que estava atrasada e não queria perder tempo por causa de loucos no ônibus. O motorista retrucou com a mesma grosseria. Fiquei pensando comigo: que atitude mais egoísta, desumana, imbecil e grosseira???

Meu!! Quanta gente estranha nesse mundo! Da onde surgem!? Enfim.
Quem sabe um dia destes eu tenha outras histórias bizarras para contar. Não vai demorar muito.

Obrigado pelos minutos da sua atenção. Eu poderia estar roubando, matando, mas estou aqui mendigando um pouco da sua atenção para este Lar de textos solitários. Não vou vender canetas que não funcionam a um real, mas eu agradeço por ter lido até aqui! Abraço!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sobre a amizade...

Certas coisas não se fazem duas vezes na vida. Na adolescência tive meu primeiro grupo de amigos e com eles eu jogava bola. Tudo bem, se você me conhece deve estar querendo rir. É isso mesmo, não levo o menor jeito e nunca levei. Entretanto, há algum tempo fiz isso e apenas por um motivo. E este dia foi muito bom..

Era dezembro há poucos dias do Natal e um amigo veio dos EUA passar uns dias. No único dia em que eu poderia ir, ele estava aflito para jogar. Fazer o que?

Cada vez mais me convenço de que a amizade permeia as relações humanas. Não apenas a amizade, mas o amor como um todo.

No grego, existem muitos sentidos para uma mesma palavra em português: amor. Um deles é a amizade. Um tipo de amor. Creio que seja um dos mais essenciais. É um sentimento supremo e onipresente em todo tipo de relacionamento.

Deve existir amizade entre pais e filhos. Deve existir amizade entre marido e esposa. Entre Deus e você.

Ter amigos é a prova de que Deus se importa com você.

O interessante é que se trata de um tipo de amor diferente. É fraternal, não escolhe sexo, raça, status social. Nem mesmo exige que sejam pessoas iguais. É um tipo de amor que não exige presença. Claro que jamais se deve esquecer dos amigos, porém é um sentimento que não morre com a distância.

Nos caso de nós, homens o divertido é que você xinga, por brincadeira ou de verdade, briga, bate, tira o maior sarro e nada muda.

Amizade enfim é o que podemos levar da vida como um dom de Deus. E se você tem amigos, ligue, convide para sair e dar risada hoje mesmo! Seja feliz, pois presente maior você jamais terá!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Relações sociais!

Boa tarde Pessoas!

Já faz muuuito tempo que não vos escrevo, mas desta vez pretendo retomar este trabalho...Enfim, segue mais um texto. Este, inspirado por um indivíduo do meus círculo de amizade mais próximo!

Grande abraço! Apreciem sem moderação!
OBS: Hei! Comentem por favor!!!

Relações Sociais!

O que fazer de sua sexta-feira a noite quando se está muito cansado e com sono? Contrariando qualquer que seja seu pensamento agora mesmo e todo o apelo do meu fadigado corpo, atendi a um pedido que a mim é quase irrecusável.

Meu amigo, como ele mesmo disse, chamou-me para um encontro para reforçar aquela “convenção social chamada de amizade”. Conversar um pouco mesmo correndo o risco de ser agradável. Aceitei a fim de reiterar meu apreço pelas tão bem quistas pessoas as quais atribuo este papel de amigos. A fim também de demonstrar presença, uma vez que nestas convenções sociais se faz necessário lembrar e ser lembrado.

Sentados em uma mesa de praça de alimentação em um shopping, Teilor, Adriana e eu conversávamos sobre coisas das mais importantes por meio de comentários ironicamente inúteis, observações sarristas e piadas. Rir é uma das formas mais eficazes de tornar qualquer conversa mais agradável. É isso que se faz quando se está em companhia de indivíduos pelos quais se quer mais próximo. É bom estar em companhia de outros seres humanos que compartilham da mesma empatia.

Saímos do shopping para comer. Parece paradoxal, porém o deficit financeiro é agravante para escolha de onde se quer satisfazer o estômago. Ao chegar em uma barraquinha de cachorro quente, continuamos a rir e conversar sobre muitas coisas variando de cultura à futilidades.

Momentos como estes, noites como estas são imensuráveis, irremediáveis, inesquecíveis e impossíveis de se repetir, haja vista a ação implacável e irredutível do tempo.

Momentos como estes, atingem diretamente seu córtex-frontal (área do cérebro responsável pelo registro da satisfação). Faz seu cérebro liberar serotonina (substância sedativa e calmante)! Faz enfim, parecer por um momento, que é possível aproveitar momentos bons, que a vida não necessita do stress que nos é tão peculiar e que já é parte integrante da bagagem de cada dia.

Estar com outros indivíduos capazes de compartilhar determinada afetividade, afinidade e demonstrar reciprocidade e solidariedade, nos faz acreditar que somos alvos daquele indescritível sentimento chamado amor.

A amizade não se restringe ao momento, mas faz com que cada dia nos tornemos mais humanos. Nossas relações interpessoais quando bem estabelecidas são capazes de nos salvar da solidão e nos faz crer nesta idéia tão abstrata para a pós-modernidade, chamada Felicidade!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Três mulheres lavavam a roupa em um riacho próximo ao vilarejo.
Quando uma delas exclama:
_ Não gosto daquele muleque!
_Qual?
_ Aquele brincando na outra margem.
_ Ah, também não gosto. Muito metido à sabichão. Também não gosto da mãe dele, metida à santarrona!
_Soube que o filho nem é do marido dela! - susurra uma delas com indignação.
_ Mas que absurdo!
_ Verdade! - retruca.

As três por um breve momento encaram o menino com olhar de intriga fulminante. O menino olha para elas e todas disfarçam e voltam aos seus afazeres.

Anos mais tarde...

As mesmas três senhoras na rua:
_ Olha lá, não é aquele muleque?
_ O filho da Maria?
_ Ele mesmo! Sabem da última?
_ Imagino: o pai descobriu tudo!?
_ Pior mulher! Ele sabia de tudo desde o início!
_ Meu Deus!
_ E sabe o que esse muleque anda dizendo? Que é filho de Deus!
_ Mas que blasfêmia! Para onde esse mundo vai!
_ Muito convém esta desculpa hein... Aquela Maria quem diria! E eles não têm nem onde cair mortos! esse rapaz nasceu numa estrebaria! Filho de Deus? Que absurdo!

Momentos mais tarde, passa por elas outra mulher. Não exitam em seus comentários:
_ Vocês viram aquela alí?
_ A Madalena? Mulhezinha vulgar! Rouba maridos!
_ É ela a adúltera que tanto comentam né? Não merece perdão. Escrevam o que estou dizendo: essa mulher ainda vai ser apedrejada na rua e ter o que merece!


Maudosas? Quem sabe não fosse um pensamento comum àqueles que não conheciam a Jesus.
Fazia tempo que eu não escrevia nada.
Hoje comecei trazendo um ponto de vista um pouco diferente pra tentar fazer você refletir um pouco mais sobre o verdadeiro significado do Natal. Ontem em uma igreja o pregador falou sobre a coragem que José e Maria tiveram em crer no projeto de salvação de Deus e se dispuseram mesmo correndo o risco de sofrer preconceito.

O tão chamado "espírito de natal" vai além de votos de paz e felicidade, mas requer um coração aberto que procura buscar a vontade de Deus acima de tudo e indiferente ao que podem pensar de você.

Que tenhamos todos um natal cheio de amor e desprendimento. Busque romper suas próprias barreiras para levar adiante uma chama que surgiu há mais de dois mil anos.

Posso ter postado isso apenas agora, mas o verdadeiro espírito de natal é aquele que persiste mesmo depois da data convencionada. Que esta reflexão perdure pelo resto do ano.

Feliz Natal e Deus abençoe a todos!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O salto

Lá estava eu a dez metros do chão. Tudo o que se podia ver da plataforma eram árvores e o chão distante. A maioria já havia pulado e eu sem o menor nervosismo havia subido cada degrau, mas ao chegar em cima foi bem diferente.

O brinquedo chamava-se swing. Uma plataforma no meio das árvores, na base da Jocum: um lugar fantástico onde você pode desfrutar da natureza, esportes radicais e tirar um tempinho pra refletir sobre a vida.

As pessoas sobem, sentam-se, caem. Enfrentam quase 10m de queda livre até a corda se esticar e se transformarem em um pêndulo humano.

Eu me sentei, olhei para baixo, suspirei. O instrutor engatou a corda no mosquetão do meu sinto. A corda puxava meu corpo para frente. O medo é inevitável! Você não vê a corda! Ela se perde da sua vista por causa da altura vertiginosa. Na sua mente, você se esquece que está seguro. No momento é só você, prestes a cair.

O instrutor checou o equipamento e disse: "ok, agora é contigo". "Hã?" perguntei.
"Sim, agora é com você. Quando quiser...". Olhei para ele e perguntei com um nó na garganta: "Você conta?". "Sim, claro! 1...2..3...e...".

Alguns longos segundos depois de contar 3, me lancei no imenso vazio.
Não consegui gritar. O ar sumiu dos meus pulmões! E depois da grande queda, balancei nos ares suavemente. A sensação é maravilhosa! Uma sobrecarga de adrenalina acompanhada de um embalo delicioso. Logo que desci uma exclamação: "Quero ir outra vez!".

Aquilo me trouxe uma reflexão. Uma experiência altamente recomendada para conhecer a sí mesmo: É a coisa mais comum dizer que a vida é feita de decisões. Elas são inerentes à nossa existência. No entanto, nem sempre sabemos como lidar com elas.

Na hora em que se precisa ousar, lançar-se em um novo desafio, como você reage? Se algo acontecer com você, cuja unica saída seja pular sem saber se vai dar certo ou não, o que você faz? Naquele mesmo dia, o momento do salto não saiu da minha cabeça. Não consigo esquecer que eu exitei. Tive medo e por pouco deixo de experimentar uma sensação nova.

No momento em que Deus colocar uma destas oportunidades à sua frente, mesmo sabendo que você estará seguro, porém sem ver a corda: você pula?

Nossa reação natural é travar. A adrenalina se encarrega de fazer sua mente exitar. Porém, em quantas situações será preciso se lançar para alcançar o novo? Você tem fé em Deus e confiança o suficiente? Você tem a ousadia que precisa?

Demorei para postar novamente, mas esta é uma das coisas que gostaria de compartilhar com você aqui. Pensemos em como superar nossos desafios e vencer o medo dos abismos da nossa vida. Sempre firmados em verdades que nos sustentam.

Grande Abraço!
Thiago